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O Prazer Sexual

Articles / Comportamento
Date: Dec 18, 2006 - 06:29 AM

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

No começo deste século existia a crença de que o orgasmo, como o amor, era um engodo da natureza para garantir a reprodução da espécie humana. A idéia tinha seus precedentes, e até uma certa base racional. As relações sexuais servem para a reprodução, isso ninguém discute. Mas será que o prazer sexual é somente isso?



Até pouco tempo não era possível saber quando uma relação sexual ia ou não ia gerar uma criança. A moral costumeira encarava o casamento como uma instituição destinada, essencialmente, a garantir a segurança e a educação dos filhos possíveis e prováveis.

Nesse esquema, o prazer sexual não tinha uma função muito clara. Reconhecia-se que o desejo sexual ia além da procriação, mas nada se conseguia dizer além disso.

A crença medieval, de que todo o prazer erótico representava uma compensação posta no caminho da reprodução, foi reinterpretada em termos biológicos. Ninguém levava em conta o fato de que a natureza é capaz de criar compulsões muito estritas sem nenhuma “retribuição” prazerosa. Será que a formiga tem prazer em transportar um peso igual ao do próprio corpo ao longo de centenas de metros?

O sexo é reconhecido como importante para o equilíbrio emocional, e o prazer erótico como uma fonte profunda de satisfação. Contudo, essas afirmações ainda são vagas.

Com os estudos de Wilhelm Reich conseguiu-se alguma clareza na compreensão de dois problemas diferentes, mas correlatos: qual o valor psicológico do prazer sexual; e, quais as correlações entre estrutura de personalidade e estrutura social?

Muita gente reconhece que sua vida sexual não é satisfatória. São pessoas capazes de realizar o coito no que ele tem de essencial, mas que depois dele sentem-se frustradas, deprimidas, culpadas ou vazias.

Um número considerável de homens pensam que são grandes realizadores em matéria de sexo. Porém, quase sempre suas companheiras não pensam do mesmo modo. Elas sentem-se esquecidas, maltratadas ou mal-amadas.

Por outro lado, às vezes o encontro sexual proporciona aos participantes sensações e sentimentos de alto nível. São relações inesquecíveis, de ternura envolvente, de abandono completo, de prazer ao mesmo tempo doce e profundo.

Estas são as experiências usuais que fundamentam a distinção estabelecida por Reich, entre uma aptidão sexual mecânica e uma aptidão sexual orgânica (que ele chamava de “orgástica” — capacidade de experimentar prazer integral e entrega completa, tanto ao companheiro quanto ao ato).

Segundo ele, a capacidade sexual mecânica está muito mais ligada ao medo e à raiva do que ao amor. Ambos os parceiros parecem muito interessados em terminar o mais depressa possível, certamente porque sentem-se desconfortáveis.

Já a capacidade sexual orgástica realiza-se em uma atmosfera essencialmente tranqüila. Os parceiros sexuais encontra-se cada vez mais intimamente, trocando carícias cada vez mais delicadas, envolventes e ternas. A sensação subjetiva é de entrega total e de completo abandono, de dissolução integral do eu, como acontece quando dormimos sem sonhar.

A que se devem essas diferenças tão marcantes de comportamento sexual? Devem-se, segundo Reich, à presença ou à ausência do que ele chama de “couraça muscular do caráter”. Em termos simplificados, trata-se da “casca” das pessoas, daquela soma de “máscaras” e atitudes que nós usamos para nos relacionarmos com as outras pessoas e para “esconder” nosso íntimo.




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