Saúde Sexual - Informações sobre sexo e sexualidade

A Influência dos Sentidos na Sexualidade Humana

Articles / Relacionamento
Date: Nov 23, 2004 - 10:00 AM

Por Kelly Cristine Barbosa Cherulli
Psicóloga e Sexóloga


Os sentidos podem interferir, positiva ou negativamente, na vida sexual das pessoas.

Alguns anos atrás fui procurada por um casal que ao tentar resolver seus problemas decidiu fazer uma terapia em conjunto. Após algumas sessões ficou claro que a vida sexual do casal estava sendo afetada por um problema bastante comum: esposa inapetente X marido apetente. Isto estava gerando uma inadequação sexual e uma série de queixas e reclamações de ambas as partes. A mulher dizia: “Quando ele estava barrigudo e de papada, ele nem ligava para sexo, mas agora é o tempo todo. Eu sempre fui assim, mas só agora ele começou a implicar”. O marido tentava se justificar dizendo que era em função do trabalho, mas desde que se aposentara as coisas haviam mudado. Então, uma frase, em particular, me chamou a atenção, dita por ele: “Toda noite, quando vou para a cama, ela está com uma máscara pegajosa no rosto e cheirando a alho e é impossível fazer sexo com aquele bafo. Quero uma mulher cheirosa, apetitosa, bonita, que eu possa tocar...”. Não vou entrar no mérito da terapia feita com o casal, mas sim partir da frase que este marido usou e que me levou a escrever este artigo. Estou falando dos sentidos.

Chamamos de sentido cada uma das formas de receber sensações, segundo os órgãos destas. Dizemos que o homem possui cinco sentidos: visão, olfato, paladar, tato e audição. Assim, se pudermos dizer e entender que os sentidos são as fontes primárias de comunicação com o mundo externo, poderemos afirmar que, em uma relação sexual há o predomínio das sensações auditivas, olfativas, gustativas, visuais e táteis, tornando a mesma basicamente uma atividade sensória. Há quem diga que nas relações humanas existe um certo predomínio de um ou mais sentidos sobre os outros e que isso difere de um sexo para o outro, de uma cultura para outra.

A audição é muito importante para a comunicação humana. Saber ouvir o outro é imprescindível no relacionamento humano e sexual. Em nossa cultura as mulheres são mais suscetíveis do que os homens em relação aos sons, principalmente da voz e da música, o que influencia na sexualidade do casal. É muito comum encontrarmos mulheres que se queixam de que “ele não me ouve”, ou “eu gostaria de que ele sussurrasse palavras românticas”, ou “ele nunca diz que me ama”.

Quanto ao olfato, parece que no homem ele exerce uma influência mais efetiva sobre a sexualidade que a audição. Havellock Ellis afirmava que “os odores são essencialmente apropriados tanto para controlar a vida emocional das pessoas quanto para torná-las escravas deles”. O paladar é o único sentido que não tem, a princípio, relação direta com a sexualidade, podendo ser equiparado ao olfato. Assim, podemos dizer que os odores e os sabores, quando vinculados à sexualidade, podem se tornar atrativos ou repulsivos (há quem goste do cheiro e do gosto do cigarro e/ou de bebidas, mas há também quem não goste).

A visão é a principal porta de recepção e percepção do meio. É através dela que notamos os caracteres sexuais e de beleza moldados por padrões culturais. Em nossa cultura, fala-se que os homens são excitados principalmente através da visão. Assim, quando ele olha uma mulher atraente, na verdade ele está visualizando suas formas, isto é, ele olha para o que lhe desperta desejo e serve de estímulo para suas fantasias sexuais (pode ser a cor do cabelo, cor da pele, a boca, os seios, as nádegas, os olhos, estatura, etc).

Em relação ao tato, podemos dizer que a relação sexual é, por si só, “um ato fundamentalmente tátil, que Conforto definiu biologicamente como um contato entre duas epidermes e psicologicamente como o encontro de duas fantasias”. Assim, através da pele (zonas erógenas) e de quem a toca, podemos experimentar sensações de prazer intenso, podendo significar a diferença entre uma experiência prazerosamente inesquecível ou não.

A filosofia clássica nos diz que nada chega ao intelecto sem antes ter passado pelos sentidos. Desta maneira, independentemente de qual deles predomine na mulher ou no homem, o importante é não esquecer que todos eles estão envolvidos na sexualidade humana em maior ou menor grau, desencadeando emoções positivas ou negativas, sendo responsáveis diretos por toda resposta sexual humana e seu desfecho.




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