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A Potência Sexual

Articles / Comportamento
Date: Apr 03, 2006 - 09:22 AM

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

Tradicionalmente, os homens têm manifestado uma atitude obsessiva em relação ao desejo sexual. Eles buscam a capacidade para satisfazê-lo tão bem quanto seus amigos. Isso criou uma mitologia a respeito da potência sexual, que somente rivaliza com a existente em torno da relação entre: o tamanho dos órgãos genitais e a virilidade.



A supervalorização das façanhas sexuais ignora a importante distinção entre quantidade e qualidade. Para muitos homens, o número de orgasmos obtidos em uma única noite tem quase o mesmo significado que o número de pontos marcados numa partida de futebol.

Por outro lado, o papel que a tradição reserva à mulher é o de objeto passivo, do qual às vezes nem se espera que atinja uma satisfação completa. Uma estranha convenção estabelece que o homem capaz de fazer muito sexo seja admirado como um herói. Já uma mulher que deseja relações prolongadas ou repetidas é rotulada de “insaciável” ou “ninfomaníaca”.

A idéia de que o papel da mulher no ato sexual não é apenas de participação, mas de participação equivalente à do homem, só começou a ser aceita recentemente. Na verdade, somente em fins da década de 1920 o público leigo começou a reconhecer que a mulher é capaz de ter orgasmos da mesma forma que o homem. A partir de então, o conceito do papel sexual da mulher vem mudando cada vez mais rapidamente, embora ainda não seja amplamente aceito. Muitas mulheres, de diferentes culturas, continuam se conformando em deixar para o homem todas as iniciativas no ato sexual.

Freqüentemente, a mulher julga que a “modéstia” não lhe permite assumir uma posição mais ativa, ou sugerir técnicas que lhe proporcionariam maior prazer. No entanto, muitos homens sentiriam uma satisfação especial se a parceira desse os primeiros passos. Afinal, isto seria uma prova de que ela o considera um homem desejável. Enquanto a mulher se recusar a ter uma atitude mais descontraída e ativa, o ato sexual estará longe de chegar a uma realização completa.

A harmonia no relacionamento sexual depende tanto de uma sintonia de emoções quanto da atração física. Esta área, básica na vida dos parceiros, está exposta a inúmeros mal-entendidos originados em situações da vida cotidiana. Às vezes, o marido se queixa de que a noiva apaixonada transformou-se numa esposa fria. Ele não percebe que ela pode estar insatisfeita com os afazeres domésticos, ou que talvez a preocupação com os filhos pequenos tenha diminuído temporariamente seu desejo sexual. Por outro lado, o marido, tenso devido às exigências do trabalho, pode não ser o amante ardente dos primeiros tempos de vida conjugal. Acusações mútuas de desinteresse ou infidelidade não ajudarão a resolver o problema.

Estudos sobre a freqüência do ato sexual no casamento mostraram que existe uma grande variação entre os casais. Não há evidências de que o grau de satisfação dependa do número de vezes que se faz amor. O que satisfaz um casal pode não servir para outro. Não há um índice normal relativo à freqüência sexual no casamento, nem qualquer média que assegure um relacionamento feliz. O importante é cada um descobrir o que lhe deixa feliz no relacionamento sexual.




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