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Sexo e Religião

Articles / Comportamento
Date: Jun 29, 2006 - 07:28 AM

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

Foram os sacerdotes depois de Cristo os responsáveis pela obsessão com o sexo surgida na Idade Média. Naquela época, a exacerbação do pre­conceito e do medo chegaram ao ponto de levar o sexo a ser encarado, por alguns, como pecaminoso, mesmo dentro do próprio casamento. A obsessão medieval chegou a tal ponto que, em certa ocasião, foi re­gulamentada a freqüência do ato sexual no casamento.



Era assim: o sexo era proibido às quartas, sextas e domingos; proibido três dias antes da comunhão, quarenta dias antes do Natal e da Páscoa e du­rante todo o período de qualquer peni­tência. Ainda assim, havia uma certa li­berdade, pois nos dias em que não era proibido, o sexo não era absolutamente obrigatório... Os maiores pecados, qualquer um pode adivinhar: prostitui­ção e adultério, naturalmente.

Já a condenação da masturbação é coisa mais recente. A Igreja Medieval a considerava um pecado, por ser um pra­zer desvinculado da procriação. Mas foi em 1710, com a publicação de Onania, que surgiu um verdadeiro pânico a res­peito das alegadas conseqüências do “auto-abuso”. Para promover a venda de um medicamento que patenteara, o autor citava um trecho do Gênesis onde Onan é fulminado por Deus porque: preferia “derramar seu sêmen na terra” a dar um filho à sua cunhada viúva, conforme o exigia a lei dos Levitas.

Isso é inteira­mente falso, pois Onan foi morto devido à sua falta de sentimento familiar, e não por “derramar seu sêmen”. Além disso, o anúncio levava a crer que Onan se masturbava, quando na verdade ele es­tava era praticando o coitus interruptus. Onanismo continua sendo sinônimo de masturbação.

Onania foi amplamente divulgado e daí em diante a condenação à masturbação cresceu como uma bola de neve. Assim, já os médicos vitorianos estavam convencidos das terríveis conseqüências da masturbação: cegueira, loucura e mes­mo a morte. Recomendavam a castração como cura para as crianças e os loucos.

Diante do rigor com que as religiões judaica e cristã encaram tudo o que diz respeito ao sexo, os ensinamentos do is­lamismo chegam a parecer “permissi­vos”. O mais mesquinho dos fiéis do Islame tem direito a uma estada no pa­raíso, onde suas necessidades sexuais são satisfeitas por 72 lindas huris, mais to­das as suas viúvas terrenas.

O hinduísmo ensina que os homens têm quatro principais objetivos na vida, um dos quais é o kama, ou seja, a satis­fação do desejo. Mediante o êxtase se­xual o homem atinge o alívio espiritual. Para ajudá-lo a alcançar esse objetivo, vários entendidos escreveram livros so­bre as técnicas sexuais. O mais célebre é o Kama-Sutra, escrito por Vatsyayana.

Os protestantes Lutero, Calvino e Knox reviveram os primeiros rígidos ensinamentos da Igreja, posteriormente re­forçados pela puritanismo hipócrita da época vitoriana. Não é de admirar, por­tanto, que ainda hoje, mesmo entre pes­soas não-religiosas, persistam idéias a respeito do sexo como pecado.

Contudo, não resta dúvida de que é possível vencer essas inibições. Inúmeros casais já conseguiram substituir, com su­cesso, a atitude negativa perante o sexo por uma atitude positiva, sem qualquer prejuízo para sua situação ética. Basta aceitar o sexo como uma experiência normal, feliz e arrebatadora, afastando os fantasmas de épocas passadas.




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