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O Encontro Sexual

Articles / Relacionamento
Date: Aug 14, 2006 - 08:25 AM

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

Duas massas plásticas, como a cera ou a argila, quando postas em contato, podem assumir uma a forma da outra mediante uma leve pressão. No mesmo ato, cada uma de forma a outra, e é por ela deformada. As superfícies em contato tocam-se totalmente, ponto por ponto. O mesmo acontece com dois corpos humanos, quando neles não existem demasiadas tensões emocionais e musculares. Mas o que ocorre no encontro sexual? O que acontece com as pessoas em uma situação tão íntima?



Se as tensões existem, os corpos se tocam mal e se adaptam mal um ao outro. Nesse caso, poderíamos pensar em dois sólidos irregulares postos um junto ao outro. A probabilidade é de que as áreas em contato efetivo sejam bem menores, e o “conhecimento” que um objeto possa ter do outro seja extremamente limitado.

Wilhelm Reich atribui à “couraça muscular do caráter” outras propriedades importantes. As pessoas costumam dizer que seu íntimo não se confunde com sua aparência, sendo esta “fabricada” por causa dos outros. Dizem mesmo que sua própria “casca” não tem nada a ver com elas mesmas. E ainda, que existe uma aparência externa e outra interna.

No entanto, quando as pessoas perdem o jeito, isto é, quando a “máscara” se afrouxa de repente, elas simplesmente não se reconhecem. É o que acontece quando somos chocados por um fato ou por uma notícia. Ou quando escorregamos e perdemos o equilíbrio. No momento do choque ou do tombo, temos a impressão de que o nosso “eu” não está aí.

A dissolução da “casca”, a atenuação das tensões musculares que compõem nossa atitude, é acompanhada por uma perda gradual da noção de si. Qualquer pessoa vive diariamente essa experiência no processo de adormecimento. Na medida em que somos tomados pelo sono, os músculos vão se relaxando e, ao mesmo tempo, vamos perdendo a consciência.

Segundo Reich, durante o encontro sexual pode acontecer alguma coisa semelhante. Se ele é realmente satisfatório, a troca de carícias é devidamente acompanhada por um relaxamento de tensões e pela perda da noção de si, até o completo desaparecimento da consciência habitual durante as convulsões orgásticas.
Muitas pessoas reagem a estas sensações como se estivessem ameaçadas por um grande perigo - o perigo da desagregação psicológica, da aniquilação do “eu”. Se as pessoas se contraem com força para resistir à “ameaça”, então o amor volta a se transformar numa luta inglória, em que a derrota cabe tanto ao “agressor” quanto ao “agredido”.

Dar-se ao ato e dar-se ao outro significa abandonar, por alguns momentos, o mundo hostil em que nossa “casca” foi moldada. E ainda, entrar num mundo acolhedor, cálido, macio e envolvente. Esta é a profundidade da experiência emocional renovadora proporcionada pelo relacionamento sexual, quando ele se desdobra em todas as suas dimensões.

Sendo assim, por que tantas pessoas têm medo de se entregar ao relacionamento amoroso? A partir dos estudos de Reích podemos supor que a resposta a esta pergunta não está em cada indivíduo tomado isoladamente, mas na sociedade e na maneira como ela forma a personalidade de seus membros.




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