Saúde Sexual - Informações sobre sexo e sexualidade

Sexo e Pecado

Articles / Comportamento
Date: Aug 17, 2006 - 07:53 AM

Por Jonatas Dornelles
Antropólogo

A Sociedade Cristã Ocidental tende a considerar a sexualidade um assunto controverso. O ato sexual, que deveria ser uma das mais felizes, mais livres e mais satisfatórias das experiências humanas, muitas vezes acaba por transformar-se numa relação angustiante, vexatória ou mesmo “pecaminosa”. Mas será que deve ser assim? Já na adolescência o indivíduo vê-se entre dois dilemas: quer agradar aos pais, mas sua sexualidade entra em conflito com os pontos de vista dos “mais velhos” (ou seja, da própria sociedade). Resultado: o adolescente passa a sentir-se “depravado” e, portanto, inseguro e culpado.



Entre os povos que estão livres desse tipo de problema encontram-se os polinésios, habitantes das ilhas Samoa, Havaí, Taiti e Tuamoto, no oceano Pacífico. Nessas ilhas, a atitude com relação ao sexo é essencialmente apreciativa. Os nativos aceitam o sexo como ele é, como um meio para se entregar a experiências eróticas, sem reservas físicas ou mentais.

As crianças usufruem de toda liberdade sexual possível, liberdade essa incentivada pelos próprios pais. Ao contrário do que acontece no Ocidente, nada se esconde delas: dormem perto dos pais (de quem geralmente testemunham as relações sexuais). A masturbação é considerada coisa natural, e por isso igualmente estimulada pelos pais. Assim que chegam à puberdade, são iniciadas para poder usufruir plenamente do ato sexual. Essa iniciação é feita por rapazes e moças mais velhos, um tio ou uma tia, ou mesmo qualquer outro parente da geração dos pais. E é curioso que, apesar de toda essa liberdade sexual, não nascem muitas crianças. Após o casamento, continuam comportando-se da mesma maneira mutuamente e em relação aos filhos. São muito experientes em técnicas sexuais e não sentem nenhuma vergonha ou sentimento de culpa com referência ao ato sexual. Isso tudo é resultado da atitude positiva dos polinésios com relação à sexualidade.

Em contraste com a atitude positiva dos polinésios em relação ao sexo, está a da Sociedade Cristã Ocidental: repressão, vergonha, frustração e sentimento de culpa. O fato explica-se principalmente pela atitude frente à moral religiosa. Cristo fez poucos ou quase nenhum pronunciamento sobre o sexo ou o comportamento sexual. Os primeiros sacerdotes da Igreja foram os que formularam as regras básicas a serem observadas pelos adeptos, e a direção coube ao missionário São Paulo. Desde cedo ele se colocou rigorosamente à procura do “verdadeiro Deus”. No entanto, Paulo não foi um misógino irredutível, ele não afirmou, como o fez Buda, que é impossível levar uma vida de renúncias quando se é casado. Disse apenas que seria mais fácil tornar-se um verdadeiro missionário de Cristo quem dedicasse atenção integral à tarefa, ou seja, dando pouca ou nenhuma atenção ao sexo.

Quando as pessoas aceitam abertamente o sexo como uma coisa agradável e ao mesmo tempo uma contingência inelutável, são poucas as probabilidades de que algo referente ao comportamento sexual venha a provocar um sentimento de culpa ou vergonha. As crianças, que desde cedo receberam ensinamentos práticos sobre a conduta durante o ato sexual, têm pouca probabilidade de sofrerem as frustrações físicas e psicológicas de tantos casais de nossa sociedade.




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